quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

João Aurélio (CD Nacional)

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A polivalência de um atleta é, geralmente, uma grande vantagem quer para o treinador de uma equipa quer para o próprio jogador. Se por um lado faz com que o atleta seja uma opção regular nas opções iniciais, dada a sua versatilidade posicional, por outro permite ao treinador alterar no decorrer dos jogos o sistema táctico sem que tenha que efectuar qualquer substituição, fazendo assim uso da polivalência do jogador.

Esta conjuntura é deveras aproveitada pelo Prof. Manuel Machado, que moldou João Aurélio num autêntico "todo-o-terreno", pois se na altura da sua chegada era visto como um bom médio ala direito, o alentejano tem-se revelado um jogador multifunções, tendo em conta as várias posições que já ocupou no terreno.

Natural de Beja, João Aurélio cumpriu grande parte da sua formação em duas equipas da sua cidade natal, tendo actuado, primeiramente, no Desportivo e, posteriormente, no Despertar. No entanto, uma incursão realizada pelo Vitória de Guimarães por terras alentejanas possibilitou-lhe a mudança para a Cidade Berço, tal como já havia acontecido com o seu conterrâneo Tiago Targino, realizando os dois anos de júnior com as cores vitorianas. Terminada a formação em 2007, o conjunto de Guimarães entendeu não celebrar um contrato profissional com o atleta, dado não estar muito interessado em pagar os direitos de formação aos dois clubes alentejanos.



Nome: João Miguel Coimbra Aurélio
Nascimento: 17/08/1988 (21 anos)
Naturalidade: Beja
Altura: 185 cm
Peso: 75 kg
Posição: Lateral-Direito / Médio Ala Direito
Clube: CD Nacional
Nº Camisola: 23

Perante isto, o jovem preferiu seguir a velha máxima futebolística - dar um passo atrás na carreira de forma a poder dar dois em frente -, prosseguindo o seu trajecto ao serviço do Penalva do Castelo. Na turma que alinhava na II Divisão, João Aurélio ganhou uma notável dimensão por força das suas exibições, valendo-lhe a chamada à selecção nacional de sub-20 e a cobiça por parte de emblemas prestigiados como o Benfica ou o Sp. Braga.

Ainda assim, o alentejano declinaria os convites apresentados ambas as equipas, decidindo rumar ao Nacional da Madeira, na medida em que poderia jogar com maior regularidade e, desta forma, atingir maior projecção a nível nacional. Na formação madeirense, o jovem seria sujeito a uma verdadeira "revolução táctica", pois, sendo um originário médio ala direito, actuaria noutras zonas, demonstrando ainda assim uma grande eficácia em todas as suas situações.

Na sua primeira época na Liga Sagres, o português seria utilizado com alguma intermitência, não sendo uma aposta constante do seu técnico que o utilizaria com maior frequência no final da temporada. Já esta época, o jovem tem-se destacado na turma alvinegra, fazendo parte das escolhas iniciais do mister Manuel Machado e igualmente dos técnicos interinos José Augusto e Jokanovic aquando da doença do treinador principal. Esta afirmação consolidou-se logo no início da temporada com os tentos obtidos frente ao Sporting e ao Zenit, em encontros que acabariam com resultados moralizadores para os insulares.

Sendo bastante rápido e competente nas suas funções, o jovem alentejano mostra-se sempre disponível em se sacrificar em prol do colectivo, sendo muitas vezes utilizado num esquema de 3-5-2 como lateral esquerdo ou, face à ausência do capitão Patacas, como lateral direito, para além de ter já actuado, inclusivamente, como avançado.

Irmão de Luís Aurélio, jogador do Moreirense, o jovem luso mereceu igualmente a atenção do seleccionador das esperanças portuguesas, que o incluiu no lote de atletas que representaram Portugal no Torneio de Toulon em 2009. As suas prestações iam agradando aos responsáveis federativos, acabando por ser convocado para a selecção de sub-21, estreando-se da melhor maneira com a obtenção de um golo frente à Lituânia, em encontro relativo à fase de qualificação do Europeu da categoria.

Com a boa prestação do Nacional na Liga Europa, os atletas da turma insular ganharam mais valorização e maior reconhecimento internacional, tendo inclusive alguns deles dado o salto para equipas mais ambiciosas. Tomando como exemplo os seus antigos companheiros Nenê e Rúben Micael, também eles apostas pessoais de Manuel Machado, o jovem tem todas as possibilidades de deixar em breve a Madeira e de singrar numa equipa com outros pergaminhos europeus, como de resto tem acontecido com o actual jogador do FC Porto. Assim, João Aurélio tentará dar sequência à boa réplica que vem preconizando, com o intuito de poder cumprir um objectivo comum a todos os futebolistas.

Filipe Jesus

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